Amor
Certo dia perdi algumas horas relendo meus antigos blogs que salvei no computador antes de deletá-los da internet. Revi toda a fase dos preparativos do meu casamento, da reforma da casa, das brigas, da paixão, da confusão de sentimentos e de rotina que a nossa vida fica quando decidimos nos casar. Ouvi o CD com as músicas do casamento, revi algumas fotos e pude perceber várias coisas. A primeira é que valeu a pena. Cada caos por qual passei me amadureceu muito. Principalmente porque a vida me deu cada lição que eu precisava aprender naquele momento. Ao me reler percebo o quanto mudei. A segunda é que, de tudo, sobrou apenas nós dois. Sem o glamour do grande dia. Sem a correria das compras, sem a intensidade das brigas e das paixões. Apenas nós, no cotidiano tranqüilo, nos dias que passam, nas refeições, no retorno ao lar, nas brigas domésticas, nos sorrisos por pequenas bobagens, nas contas do fim do mês, nos planos dos filhos, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e em todos os dias da nossa vida.
Hoje já não choro porque ele atrasou ou porque teve um acesso de ciúmes. Ele já não se irrita tanto quando não atendo o celular porque não escutei tocar ou porque quanto quero uma coisa só falo naquilo. Hoje a gente briga bem menos, por quase nada e elas duram tão pouco que quase nos esquecemos porque aconteceu. Hoje ele já não me manda flores, mas me dá o meu remédio todos os dias, inclusive no final de semana quando coloca o relógio para despertar, só porque ele sabe que eu esqueço e que se deixar para tomar apenas quando acordarmos terei que esperar uma hora para tomar café da manhã. E que isso me irrita pois acordo sempre com fome justamente porque não janto.
Hoje ele já não me encontra sempre produzida, mas me encontra sempre com um cafuné, com meus ouvidos atentos, com o jantar no fogo só pra ele porque eu não como comida a noite, com o suco pronto pra tentar evitar que ele tome tanto refrigerante. Hoje a gente não precisa escapar da faculdade pra namorar, mas continuamos escapando da rotina, da falta de tempo, do excesso de trabalho pra continuar se amando. Hoje a gente não planeja o feriado, planeja a vida e discute, e discorda, e ri e concorda e muda de idéia a todo instante. Só por conta da vontade de se fazer a cada dia mais feliz, só por querer que a cada dia as coisas fiquem melhores, só pra ter um pouco mais de certeza de que tudo vai dar certo!
Desde que me casei nunca mais escrevi nada sobre isso. Limito-me a viver o casamento. Essa experiência tão fantástica que é dividir a vida com alguém estranho que vira sua família de uma hora pra outra. Essa maluquice que é passar vinte quatro horas por dia, sete dias por semana dividindo o mesmo espaço físico e emocional o que de vez em quando causa fagulhas, fogaréu e no instante seguinte uma inundação de coisas. Que faz a gente aprender que o local da pasta de dentes nem é tão importante porque se não está em um lugar está em outro mesmo. Que o importante mesmo é saber que o outro está logo ali no outro cômodo a dois ou três passos de você. Que quando um está de dieta o outro está também e que quando um tem trabalho o outro fica de castigo em casa também, porque é assim que tem ser e é só assim que sabemos viver. Nesse pouco mais de um ano em que estamos casados não vou dizer que vivemos em lua de mel constante e que minha casa é cor de rosa, mas posso dizer que de tudo o que eu vivi essa é a fase em que mais tenho aprendido, em que mais me alegro, em que mais sofro e que mais me realizo. É dividindo meus dias com ele que percebo que ser quem a gente é, às vezes não é fácil, às vezes eu tenho que falar um pouco mais baixo, segurar minha ansiedade, essa minha mania de querer tudo pra ontem, me libertar da fixação por organização e lidar com o imprevisto. Ele às vezes tem que ser menos controlador, mais meigo, dormir sem TV e agüentar com paciência minhas “coisas de mulher”. Mas mesmo assim saber que sempre vai ter quem goste do meu arroz com legumes, do meu sorriso maroto e dos meus planos mirabolantes. Que sempre vai ter quem goste do sorriso que deixa ele vermelho, das brincadeiras fora de hora e dos apelidos ridículos que só ele sabe colocar em mim. Sempre vai ter quem nos escute e nos dê razão e quem nos mande parar de falar tanta besteira e dizer que estamos errados. Que nos diga que a vida é dura, doce, difícil e maravilhosa. Que divida com a gente uma lágrima sem sentido ou uma dor angustiante. Porque quando a gente casa, a gente só quer um conto de fadas e acaba ganhando muito mais que isso, ganha uma vida real cheia de dissabores e coisas tremendamente deliciosas.
E assim a vida segue…












Novembro 14, 2007 às 5:48 pm
Puxaaaaa nunca tinha nem visto esse espaço aqui…. que lindo… me trouxe as lagrimas rs pra variar… sua amiga aqui nao cansa de ser chorona… fico tao feliz em ver td dando tao certo… vendo q no meio de tantos altos e baixos q so um casamento pode proporcionar vcs sao os vitoriosos por terem um ao outro!!! Parabens a vcs por todo esse amor q vcs vem construindo dia apos dia!!!
Beijossssss
Julho 10, 2008 às 5:13 pm
adorei esse espaço….”PARABÉNS”